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Rei sem trono

Sem a escrita a minha vida não teria sentido.
Seria alma enrugada, amachucada, embrulhada para dentro.
Escrevo para falar o que não digo aos outros e aquilo que não sabem ler em mim.
Escrevo para crescer na intimidade com que me aproximo da palavra.
Escrevo para soltar o pássaro que se perde na gaiola à qual se acomodou.
Escrevo para libertar a raiva, o terror, a revolta que me torna monstro.
Escrevo para educar a Razão, para a libertar da Emoção.
Escrevo para marcar o meu lugar, para brasonar o meu sangue que imagino eterno.
Escrevo para pedir perdão. É a minha orientação para to pedir a ti.
Escrevo sob inspiração, contra a Razão que me impõe um fim.
Este é o meu legado. Íntimo, pobre, por vezes, pensado.
Mas é a recompensa deste meu reinado.
Com um único trono: o de um coitado.

( Celina Seabra)








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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

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