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Não entendo

 

Famílias de coração, só conheço a que Deus me deu.

Não entendo que quem as tem se sinta órfão.

Não entendo que quem tem mãe, pai, filho(a), tio(a), avô(ó)

Chame Outros assim.

Não entendo.

 

Sou muro.

Trepem-no. Verão que sou barreira virtual.

 

Sou séria,

Deem-me um abraço,

Cantem-me uma canção,

Escrevam-me um poema,

Uma frase

E verão que derreto.

 

Sou de todos?

Sou só dos que amo e daqueles em que acredito.

 

Sou diferente?

Também o podes ser.

 

Sou dura?

Mas não sou fingimento – esse faz-me cócegas na garganta e na alma.

 

Afasto-me?

É o meu jeito de não te ofender e de não me magoar.

 

Sou solitária “entre a gente”?

Tenho Deus comigo.

 

Só não entendo o jeito das pessoas esquecerem o princípio e o fim.

 

(Celina Seabra)

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