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És egoísta e eu continuo a deixar-me envolver por ti e a querer acreditar que Tu não és assim como te julgo...
Convences-me e eu deixo-me levar...
A tua voz sibila no meu ouvido e o teu som é de encantamento.
Olho-te, ouço-te e sei que não és quem eu queria que Tu fosses...
Combinas, descombinas...
Concordas, discordas... és meio termo, incompleta!
És cega ou não queres ver... Agradas a dois deuses, a dois amigos, a duas frentes opostas... Só pensas em ti.
Não te preocupam os Outros nem o que pensam...
Não pedes desculpas e finges não ver ou então, és invisual.
És ardil, manhosa, subtil, trapaceira...
Vejo as tuas lágrimas e já não me incomodam.
Vejo o teu sorriso e já não me encanta.
Ouço-te e já não acredito.
Hoje sei que és Quimera! Nunca mereceste o trono que criei para Ti.
Não tens sequer noção do quanto foste importante para mim.
Hoje rio contigo, mas afinal apenas te imito... deixo-te acreditar que acredito.
Em mim, criaste a desconfiança - vil sentimento!
A ferida que abriste, já não sangra, confesso. Mas ainda, dói...
És Egoísta!

( Celina Seabra)

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

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