Avançar para o conteúdo principal

 Eu perdoo,

Mas não esqueço.
O tempo ameniza os dissabores, as angústias, as zangas.
Liberta - nos do peso no coração,
Dos pensamentos repetitivos, como feridas que custam a sarar.
O tempo seca as lágrimas,
Amacia a mágoa que pesa e entristece,
Lava - a e esfrega-a,
Como a lavadeira bate e torce a roupa 
e depois põe - na a corar. 
O sol tem o dom de dissipar a nódoa e cavalga no tempo para o domesticar
Porém, .
não esqueço quem me fez infeliz...
Reconheço o seu rosto e a marca que o sol encobriu e o tempo engomou.
Tornou-se mais leve olhar para ti.
Quase desapareceu a dor que a mágoa plantou.
A mancha quase se evaporou no espelho da alma.
E, 
um pouco mais de tempo, 
aposto que desaparecerá a fenda que sacudiu a vidraça
 e bloqueou a luz.
Porque o Tempo sara 
e os ciclos da vida varrem o que não interessa.
Fardos desnecessários 
acabrunham.
E eu tenho de plantar o Amor.

Perdoo,
Mas não consigo esquecer quem me fez infeliz.
- Lamento, mas
Fazer de conta não está no meu ADN.

(Celina Seabra)


Comentários

Mensagens populares deste blogue

https://www.youtube.com/watch?v=MAulPfzOJdI " Se queres uma amigo, cativa-me..."  "Tu és responsável pela tua rosa" É assim que eu defino, também, o verdadeiro amigo... Foram poucos os que me cativaram... Vale a pena recordar e ler o capítulo XXI da obra O Principezinho de Saint-Exupéry Antoine de Saint-Exupéry: E foi então que apareceu a raposa. __... E foi então que apareceu a raposa. __ Bom dia - disse a raposa. __ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu. __ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira... __ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu es bem bonita... __ Sou uma raposa - disse a raposa. __ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste... __ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda. __ Ah! desculpa - disse o principezinho. Mas após refletir, acrescentou: __ O que quer dizer "cativar"? __ Tu não és daqui - disse a rapo...

Abraçar custa tão pouco

Dá-me um abraço e encosta o teu coração ao meu. Vê como bate em sintonia com o teu. És meu porto de abrigo. Teus braços são o ninho que me protegem das tormentas que ficam fora dos muros onde sou feliz. Embala-me e sê o meu anjo da guarda. O pulsar dessa caixinha de vida que és Tu, tranquiliza e anestesia a ilha apreensiva que construí em mim. ( Celina Seabra)

Que futuro?

QUE FUTURO?                 Estes meninos que vão às Orais ( de português, matemática, línguas…) não estudam nem querem saber mais.                 Não gostam de ler, nem de falar, mas os telemóveis sabem dedilhar.                 Um ano letivo a ensinar e nesta hora, é uma deceção para o setôr que não para de os ajudar.                 Confundem autores, ações, palavras, definições… Parece que nunca ouviram falar disso nas diversas lições.                 O professor ensina, ajuda, prepara, incentiva, elogia, enxuga lágrimas, abraça, impõe-se, porém chega ao fim e recebe desilusões.    ...