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 Eu perdoo,

Mas não esqueço.
O tempo ameniza os dissabores, as angústias, as zangas.
Liberta - nos do peso no coração,
Dos pensamentos repetitivos, como feridas que custam a sarar.
O tempo seca as lágrimas,
Amacia a mágoa que pesa e entristece,
Lava - a e esfrega-a,
Como a lavadeira bate e torce a roupa 
e depois põe - na a corar. 
O sol tem o dom de dissipar a nódoa e cavalga no tempo para o domesticar
Porém, .
não esqueço quem me fez infeliz...
Reconheço o seu rosto e a marca que o sol encobriu e o tempo engomou.
Tornou-se mais leve olhar para ti.
Quase desapareceu a dor que a mágoa plantou.
A mancha quase se evaporou no espelho da alma.
E, 
um pouco mais de tempo, 
aposto que desaparecerá a fenda que sacudiu a vidraça
 e bloqueou a luz.
Porque o Tempo sara 
e os ciclos da vida varrem o que não interessa.
Fardos desnecessários 
acabrunham.
E eu tenho de plantar o Amor.

Perdoo,
Mas não consigo esquecer quem me fez infeliz.
- Lamento, mas
Fazer de conta não está no meu ADN.

(Celina Seabra)


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