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Ninguém muda quem não deseja ser mudado.

Ninguém convence quem já está convencido.

Ninguém ama pelos Outros.

Ninguém seduz quem por ti não se deixa enfeitiçar.

Ninguém se demove por ver as tuas lágrimas e,

ainda que os joelhos se dobrem para demonstrar,

Só perdoa quem ama de verdade.

Cativar leva tempo

E o tempo nem sempre se deixa enredar.

Talvez um dia,

Naquele dia que um dia virá,

A vida, vestida de metamorfoses surpreendentes,

Diga ao tempo que a gente é fugaz,

Nada conta,

Somente o Amor que espontaneamente dás.


(Celina Seabra)

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

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