Há gritos que ficam na garganta.
Percorrem a cavidade oral e ecoam lá longe, onde só tu consegues escutar.
É um grito engolido, sufocado.
Às vezes, é soluço ou 'ai' recalcado.
Outras, soa a suspiro e a nostalgia.
Talvez alguém repare e te questione.
Talvez te abrace, te aconchegue e a tua dor solucione.
Ou talvez não.
E o grito morre no teu peito.
A solução é embalares o teu sofrimento,
Pegar-lhe com cautela,
escutá-lo e aconselhá - lo.
Sê compassiva contigo e mima-te.
Troca - lhe a veste cinzenta e pinta-a de todas as cores. Aceita a tua diferença que é também a tua singularidade.
Vira a página e reescreve-a.
Desenraiza o espinho que suportas há muito tempo.
Às vezes, precisa de sangrar um pouco,
mas esse é o caminho para a cura.
(Celina Seabra)
Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Comentários
Enviar um comentário