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Céu de estrelas

Debaixo deste céu de estrelas posso contemplar todo o infinito. Ouço o silêncio e sinto-me feliz e única no mundo.  O universo parece conquistar-me e perco-me na sua imensidão…
Sou tão pequena, tão insignificante, tão minúscula perante a grandeza que tudo domina!
As estrelas – pequenos pontos no céu infindável que observo – piscam de muito longe e incendeiam a noite. São os candeeiros do Universo; os luzeiros que conduzem o meu pensamento que em rodopio fugiu do corpo que se balança numa rede brasileira.
Este momento bastava-me para ser feliz!
 Este silêncio, parado no tempo, seria o instante ideal para eu partir e transformar-me, também, em astro, em luz…
Anseio por ti, Infinito! Invejo a tua calma, a tua dolência e a tua magia!
Pega-me nos teus braços e de mansinho conduz a minha essência a ti. Deixa-me ser pó de luz, lampião, farol para conduzir serenamente o meu coração…
Não me deixes só… Quero fazer parte dessa dança que todas as noites se perpetua até ser dia e parte feliz para outros locais do mundo!


Não quero amanhecer! Quero que afastes de mim a angústia que teima em aparecer sempre que a aurora deseja romper…

( Celina Seabra)

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

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Acróstico

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