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Hoje sou feliz.
Porque não ontem?
Porque não amanhã?
Porque te chamam FELICIDADE se não és constante?
Que sensação é essa que te invade por dentro e te faz sorrir, cantar e sonhar?
És arisca, jogas ao esconde: “ Vê se me apanhas!”
Traças caminhos que passam a labirintos e ouço-te rir.
Troças de quem te busca e foges-lhes como a areia que escorrega entre os dedos.
Deixas que a outra sensação, a nuvem que se encobre nos arbustos altos que trepam o teu labirinto, me encontre, me assuste e me destroce, tantas vezes.
Não vês que me atormentas?
Não te apanho. E quando te encontro é porque me apanhas desprevenida. És a borboleta que entra mansamente pela janela que ficou aberta…
Mas a sensação que me invade é boa, muito boa e faz-me feliz. Matas-me, momentaneamente, a sede, quando o que desejo é essa fonte dentro de mim.
És o antídoto perfeito para a minha tristeza que não tem nome. És o xanax que adormece o turbilhão que se forma inexplicavelmente dentro de mim.
O vulcão, a lava que queima fica, por momentos, anestesiada. O medo parte, a paz senta-se ao meu lado e sussurra-me histórias de como continuar.
És a cantiga de embalar. E volto ao útero materno, à segurança que não devia ter perdido, à esperança de que serei sempre assim: crente e feliz.


( Celina Seabra)

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