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Pedinte

Velha.
Mulher de idade avançada.
Antiquada.
Decrépita.
Envelhecida por dentro.
Murcha.

Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada...

Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes.
O sonho perdeu-se.
Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou.
Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu.
O rio lavou.
O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar.
Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la.
Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz.
Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem.
Esqueceu os Outros. Centrou-se em si.
Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação.

Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta.
Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em lágrimas.
Se conheceres a Fonte da Alegria, traz-lhe um pouco dessa água.
Se souberes ler nas entrelinhas, socorre-a.
Tu não sabes nem vês, mas sou apenas uma pedinte.

( Celina Seabra)

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