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Desencontros

 Um mesmo mar e duas embarcações - somos assim.

Remamos tantas vezes em correntes contrárias que até já lhes perdi a conta!

Eu sou a tempestade, o vendaval que sacode o meu e o teu  barco.

Eu sou o trovão destruidor que ilumina a noite que se torna medonha!

Sou a Destruição.

Tu manejas a tua embarcação e usas o arpão para ludibriar a fera. Não temes seres abocanhado.

"Muito roncar e pouco fazer" - sabes que assim é. E "pela boca morre o peixe."

A tempestade passa. Foi-se a rebentação.

Ficam as palavras loucas, os relâmpagos secos que destroem, queimam, incendeiam...

Mas desce sobre o nosso mar a acalmia.

As canoas reencontram-se de novo,

Até quando, ainda não sei.


(Celina Seabra)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Prometo

Prometo não voltar a ceder a quem não olhou ao esforço que fiz para superar o orgulho. Depositei-o aos meus pés. Deixei que secasse a coroa de espinhos que o cercavam, porque acreditei que a vida não é mais do que um sopro e a soberba é a arma dos injustos. Não pensei que fosse tão difícil, mas libertei-me das correntes que me atrofiavam a alma que deve manter-se pura e, assim, pude encontrar paz. Não volto a vacilar e prometo não te olhar mais nos olhos, porque não têm o encanto dos girassóis. São névoas que encobrem o sol que me faz brilhar. E desse sim, preciso dele para sorrir. Por isso, vai! Leva contigo as nuvens que desmancham a aguarela perfeita Adicionar legenda que sou eu! (Celina Seabra)