Avançar para o conteúdo principal

Vive!

 Um dia estamos felizes, certos do presente e sem medos do amanhã.

Noutro chegam as dúvidas, as surpresas, as angústias, e a muralha que fingiste construir ao teu redor, afinal não é mais do que um baralho de cartas ou o dominó que empilhaste certeiramente e, por descuido, lhe tocaste e cedeu.

Somos Tudo e somos Nada, num momento só.

Guia-te a persistência que Tu chamas de Esperança.


É o teu archote olímpico que como atleta te impões a levar até ao fim do jogo.

E enquanto estiver empapado de breu, o teu caminho permanecerá dentro do teu olhar.

O jogo continua, por isso está certa de que a tocha se elevará, se não for por ti, por outro campeão que não teme viver.

Por isso, põe candelabros em todas as paredes da tua essência. Mantém a fonte da Fé iluminada. Limpa as teias sem destruir a persistência da aranha que tece meticulosamente o seu campo defensivo. Não baixes os braços, nem percas de vista as estrelas que iluminam o teu caminho. Mantém a tocha elevada e sê exemplo de vida. Não afastes os olhos do sol, se temes a escuridão. Afasta de ti a serpente que envenena e seca os sonhos que te mantêm viva. 

E Vive!

(Celina Seabra) 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Abandono

Dentro de mim não cabe a Felicidade. Miro-a, aproximo-me, invisto e a barreira invisível afasta-te de mim. Dentro um poço sem fundo, labirintos escuros, escolhas imperfeitas. Dentro o desejo de agarrar esse TODO que nunca serei: única, consciente e crente. Vazio... é um paúl que se acomodou ao local onde criou raízes. Outra face do que não és e querias ser. Cansaço de criar degraus para atingir a luz. Abandono. Para quê? Porquê? Porque já esperei e as borboletas não regressaram ao meu jardim. (Celina Seabra)