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Desde que o tempo mudou o meu tempo, a vida foi de descoberta, de  encontros e paragens.

 Viajo não só por cidades, como paro em apeadeiros. 
E é nestes que encontro a magia do ser humano e quase a sua perfeição.
Passei a ser viajante e desço em estações novas.
 Os transeuntes - estranhos no início -  sentam-se ao meu lado e contam-me histórias da vida.
Às vezes, entrelaço-as com as minhas e passam a ser o meu terço de oração.
Outras, faço delas talismãs e são bússolas quando se abre o abismo.
Sou viajante sem roteiro e o amanhã é incógnita, porque ainda é amanhã.

Se o mundo não idolatrasse a futilidade, até esqueceria as regras sociais.
Não sou presa do relógio e amo a calma. - Esse caminhar tranquilo, sem rumo, sem stress, sem medos, sem cadeados.
Sou filha do tempo que passa e herdeira da eternidade. 
Por isso, não me apressem! 
O caminho não acaba e chegar tarde não é o fim do mundo. 
- É  só a minha forma de andar distraída dos rituais que me ADOECEM. -

Na minha estrada,
Há entroncamentos, paisagens soalheiras e crianças que me ensinam a observar. 

Sem pressas e ao natural. 
E a minha paz não se desfaz.

(Celina Seabra) 
Imagem retirada do Pinterest

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