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Receita para um dia pacífico

 Receita para um dia pacífico:

- abrir as janelas do quarto para arejar a porta da consciência mal desperta;

- sacudir a preguiça abrindo os braços para o alto, como se embalasses um filho;
- inspirar e expirar cinco vezes;
- limpar e abrir o sorriso e treiná-lo diversas vezes. Por exemplo, sorri para o dia que acabou de nascer e que continuas a ver, sorri para quem está ao teu lado, sorri para o céu, sorri para as aves, para os teus animais de estimação e sorri para ti, como se olhasses Deus;
- faz a tua primeira oração e deixa voar os teus pensamentos;
- sê corajosa e afasta o medo (pode ser devagarinho);
- alimenta o corpo - a gosto e q. b. - pois o importante é esse bem-estar que vem de dentro;
- arranja-te e mima-te - é importante sentires-te bonita. A beleza interior também irradia nessa consonância;
- prepara os teus passos e sê firme. Confia no que há de vir, porque muito depende de ti.
Não imaginas o quão importante és para quem passa por ti,a fingir que é feliz.
- Abraça, toca (q. b, de preferência com a tua essência), escuta e conversa. Perdoa, se conseguires - És música de um Deus Maior.
Segue em frente, todos os dias. 
Não desperdices aquele que pode ser o teu último amanhecer.

(Celina Seabra)

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

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Dentro de mim não cabe a Felicidade. Miro-a, aproximo-me, invisto e a barreira invisível afasta-te de mim. Dentro um poço sem fundo, labirintos escuros, escolhas imperfeitas. Dentro o desejo de agarrar esse TODO que nunca serei: única, consciente e crente. Vazio... é um paúl que se acomodou ao local onde criou raízes. Outra face do que não és e querias ser. Cansaço de criar degraus para atingir a luz. Abandono. Para quê? Porquê? Porque já esperei e as borboletas não regressaram ao meu jardim. (Celina Seabra)