Avançar para o conteúdo principal

Pobre vs Rico

" Não peças a rico
E não prometas a pobre"...
Nunca o provérbio - voz do povo - esteve tão próximo da realidade do meu Hoje.
Rico não dá. Queixa-se.
Pobre não esquece. Necessita.
Rico olha para ti apenas quando deseja extorquir-te alguma coisa. ( " Come a tua carne e despreza os teus ossos".
Porque não tem dentes?
Porque tem mais olhos que barriga.")
Pobre olha para o chão e conta os seus passos no caminho que é de todos. Por vezes, não os distingue. Esquece-se de que são os seus.
Rico nunca rouba. Serve-se do dinheiro dos outros para criar o seu império.
Pobre pede ou envergonha-se de pedir...
Rico tem sempre razão. Ai, daqueles que não lhe derem atenção!
Pobre erra. Pede desculpa, titubeia e esconde o rosto na sua própria mão...
Rico acha-se rei e pensa estar acima da lei.
Pobre conta os trocados para pagar as contas ao Estado.
Rico é capitalista. Acumula riquezas com o suor do proletariado.
Pobre acha-se socialista. Na verdade, ele é um idealista.
Rico já foi pobre, mas esqueceu o seu porvir...
E quando o império começa a ruir, propõe ao pobre um souvenir: " se não quiseres ir à rua pedir, aceita as contas que são de sumir!"

- Pobre, meus amigos, é gente que merece sorrir.

( Celina Seabra)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Abandono

Dentro de mim não cabe a Felicidade. Miro-a, aproximo-me, invisto e a barreira invisível afasta-te de mim. Dentro um poço sem fundo, labirintos escuros, escolhas imperfeitas. Dentro o desejo de agarrar esse TODO que nunca serei: única, consciente e crente. Vazio... é um paúl que se acomodou ao local onde criou raízes. Outra face do que não és e querias ser. Cansaço de criar degraus para atingir a luz. Abandono. Para quê? Porquê? Porque já esperei e as borboletas não regressaram ao meu jardim. (Celina Seabra)