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Árvore de natal


Hoje quero pintar o meu coração de natal.
Quero procurar a menina que ficou lá longe,
a que sabia viver essa quadra.
Quero rezar com ela.
Quero pedir ao Menino Jesus proteção divina para os meus amores, para aqueles que são sangue do meu sangue.
Quero erguer bem alto a árvore que resvalou, carregada de ramos inúteis.
Para crescer para o alto, não precisa de acessórios!
Quero-a liberta de frivolidades, para que não faça sombra a ervas daninhas.
Vou retirá-la desse terreno baldio e imprestável…
Vou cortar-lhe os galhos que podem cair a qualquer momento e ferir…
(talvez, a mim…)
Quero os insetos e os fungos longe dela.
Quero a minha árvore arejada!
Quero que o vento e a brisa a purifiquem...
Depois, vou enfeitá-la com os sorrisos e os olhares daqueles que me cativaram.
Não preciso de gargalhadas. Preciso de sorrisos compreensivos e recíprocos.
No cimo colocar-lhe-ei o meu coração.
Ali, talvez, o Céu se compadeça e deixe cair sobre ele estrelas da paz e do perdão.
Só assim brilhará.
Preciso, urgentemente, dessa chuva de estrelas cadentes !
Desse renascimento divino, presságio de boa sorte.
Necessito desse lampejo de luz.
 Estarei atenta para não o perder .
Debaixo da minha árvore será esse o meu presente de Natal:
um misto de Crença, Otimismo e Renascimento.

( Celina Seabra)


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