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Futuro

Os meus pensamentos são a minha visão interior.
O pulsar tranquilo do coração diz-me que Tudo vai ficar bem.
A tempestade vai passar, mas ainda não surgiu.
A brisa morna alerta-me para o fingimento.
" Cautela, não confies!" - avisa-me. - " A intempérie há de chegar!"
Leio-me por dentro.
Sou maga, mas não domino a magia.
Os meus sentidos são os meus guias.
Iluminam-me o caminho que ainda desconheço.
Lá longe, no cruzamento para onde caminho, hei de parar
E só ali decidirei o trilho novo a pisar.
Haverá uma ponte para outro lugar?
Apuro os ouvidos no silêncio que ecoa por dentro de mim.
O mistério é imenso e desconheço-me.
Suspensa sobre um caminho feito de livros penso no que ali posso escrever...
O que lá está já não é meu...
As páginas abrem-se em branco.
O passado esfumou-se.
Livro sobre livro...
Construo uma escada para um novo voo.
De livro em livro, subo um degrau para poder ver.
A imensidão é igual à que observo dentro de mim.
Planícies e vazio...
Um céu infinito,
uma brisa morna conforta-me.

Sabe-me a  PAZ.

( Celina Seabra)

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Acróstico

  F elizmente, a vida tem motivos para nos fazer sorrir. E ntrega-te ao sonho e embarca na sua realização. L eva contigo apenas o essencial: o sorriso para iluminar algumas lágrimas que hás de deixar cair… I mprescindível para o crescimento pessoal. A Fama é sol de pouca dura e Tu precisas apenas de ser C omo as aves do céu: Livre para voar. Liberto de amarras que só nos prendem ao chão e nos criam I lusões óticas que adoecem a nossa vontade de viver e a perceção da realidade. D á ao mundo a magia com que o Sol nos cumprimenta todos os dias. A ma como se não houvesse amanhã. Acredita. Usufrui dos teus sentidos para não teres fome de Vitória. D elega as imperfeições que agrilhoam as asas que nos prometeram ser de anjos E vive intensamente.   (Celina Seabra)