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Fernando Pessoa

Admiro-te Pessoa, por tudo o que escreveste e por todas as almas que viveste.
Entendo-te.
Foste uma vida embrulhada para dentro.
Inteligente,
Muito acima do teu presente.
Ave arisca, difícil de apanhar na armadilha pessoal.
Vaso diferente, invulgar, feito de poente, ausente da gente que teima em passar.
Impressionista, surrealista, modernista e saudosista,
Foste arquiteto e paisagista.
O templo que ergueste era imaterial, singular…
Era sonho profético, quinto império arquétipo.
Desenraizado, órfão de pai, ausente da pátria.
Regresso do peregrino que não esquece a terra natal.
Amaste a pátria como ninguém, mas no momento ninguém te amou,
antes te julgou.
“ A minha pátria é a língua portuguesa.”
Herói lusíada,
Mito do poeta que fica incrustado na pedra que deu origem à nação.
Louco do ontem, do hoje e do amanhã.
Olho de falcão
que descreve , em palavras sábias,
o mundo na perfeição.
Desse baú mágico onde guardaste a tua vida,
a tua ausência nunca será despedida.


( Celina Seabra)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

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Pedinte

Velha. Mulher de idade avançada. Antiquada. Decrépita. Envelhecida por dentro. Murcha. Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada... Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes. O sonho perdeu-se. Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou. Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu. O rio lavou. O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar. Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la. Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz. Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem. Esqueceu os Outros. Centrou-se em si. Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação. Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta. Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em ...