Avançar para o conteúdo principal

Fernando Pessoa

Admiro-te Pessoa, por tudo o que escreveste e por todas as almas que viveste.
Entendo-te.
Foste uma vida embrulhada para dentro.
Inteligente,
Muito acima do teu presente.
Ave arisca, difícil de apanhar na armadilha pessoal.
Vaso diferente, invulgar, feito de poente, ausente da gente que teima em passar.
Impressionista, surrealista, modernista e saudosista,
Foste arquiteto e paisagista.
O templo que ergueste era imaterial, singular…
Era sonho profético, quinto império arquétipo.
Desenraizado, órfão de pai, ausente da pátria.
Regresso do peregrino que não esquece a terra natal.
Amaste a pátria como ninguém, mas no momento ninguém te amou,
antes te julgou.
“ A minha pátria é a língua portuguesa.”
Herói lusíada,
Mito do poeta que fica incrustado na pedra que deu origem à nação.
Louco do ontem, do hoje e do amanhã.
Olho de falcão
que descreve , em palavras sábias,
o mundo na perfeição.
Desse baú mágico onde guardaste a tua vida,
a tua ausência nunca será despedida.


( Celina Seabra)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Abandono

Dentro de mim não cabe a Felicidade. Miro-a, aproximo-me, invisto e a barreira invisível afasta-te de mim. Dentro um poço sem fundo, labirintos escuros, escolhas imperfeitas. Dentro o desejo de agarrar esse TODO que nunca serei: única, consciente e crente. Vazio... é um paúl que se acomodou ao local onde criou raízes. Outra face do que não és e querias ser. Cansaço de criar degraus para atingir a luz. Abandono. Para quê? Porquê? Porque já esperei e as borboletas não regressaram ao meu jardim. (Celina Seabra)