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INSTINTO

INSTINTO
Impulso natural que leva à ação.
Eu possuo,
Tu possui-lo
Nós possuímo-lo.
Tal o animal que age instintivamente para sobreviver, para procriar,
Eu e Tu, usamo-lo, também.
É no momento.
É ação.
É o ponto de partida para uma meta que se vislumbra perto.
É o desejo de ser amado.
É o estímulo para quebrar correntes.
É o desprender-se do Tempo, da exatidão dos ponteiros do relógio que controlam a civilização.
É quebrar o voto de castidade.
É deixar de ser púdica, para ser arisca, selvagem e usufruir num só momento todo o prazer do instante.
É desobedecer e descer sorrateiramente a escadaria ou saltar a janela da casa que te aprisiona.
É matar a sede de viver e a fome de fazer parte de todas as sensações.
“ Instinto é o olfato da alma.”
É rebelar-se contra a consciência e obedecer somente aos sentidos.
É ser animal.
É ser gente que cuida dos outros, porque sente dentro de si o Bem e a Dor.
É amar sem limites e guardar dentro de si este segredo.
É satisfazer o corpo, esquecendo que a alma existe e o pecado não vive ali ao lado, mas dentro de ti.
Instinto é a carapaça que constróis em ti para que os Outros não te julguem.
Instinto são as cadeias de proteção criadas pelo medo para não saíres magoada.
O Instinto é a tua proteção ou a tua perdição.
É o despoletar da raiva que estava arrolhada num frasco de vidro.
É o espelho da verdade. É o outro lado encoberto. É mistério e faz parte de Ti.
É a alegria espontânea de abraçares o outro.
É o medo sem fundamentos, mas que te agrilhoa ao chão e te impede de voar.
É poder tocar-te, porque me apetece.
Instinto é coragem ou é lição mal aprendida.
O Instinto tem duas faces: a da Vida e a da Morte; a do Bem e a do Mal; a do Ontem e a do Hoje; a da Paz e a da Guerra…
O Instinto é aptidão, vocação, inspiração, intuição, disposição…
Cabe a cada um a determinação de usá-lo para a agressão ou para a paixão.
Eu opto por deixá-lo entregue ao coração, pois é o Senhor da minha Razão!

( Celina Seabra)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

Mudar de lugar implica adaptação. Aceitas ou não aceitas. Resignas-te e aceitas. Participas ou acomodas-te. Reservas-te ao teu canto ou entras na conversa. Ficas de fora ou integras-te. Dás de ti, para poderes (talvez) receber na mesma moeda, ou um pouco menos. Aceitas-te e passas a usufruir do que tens: tu, a tua essência, os teus valores, os teus sentimentos. Deixas de pensar no olhar perscrutador e olhas para a tua alegria e para o teu desejo de ser feliz. Gostas de ser instrumento de harmonia e sorris, ris, danças, cantas, dás corda à menina que foste na infância e que vive dentro de ti. Ou então, queixas-te. 🙄 Entristeces porque o passado não se apaga, ou vives o presente e agradeces quem passou por ti e fez de ti uma pessoa especial. O medo é inimigo da mudança, sim, Porém o mundo é tão grande e a Vida bonita e tu só tens de ser tu. Cativar é preciso, insistir também, mas há gente verdadeiramente especial! E a solidão vai-se quando aceitas a Paz. (Celina Seabra)

Pedinte

Velha. Mulher de idade avançada. Antiquada. Decrépita. Envelhecida por dentro. Murcha. Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada... Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes. O sonho perdeu-se. Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou. Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu. O rio lavou. O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar. Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la. Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz. Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem. Esqueceu os Outros. Centrou-se em si. Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação. Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta. Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em ...