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Senhor Cão

O cão
que tem quatro patas
que ladra
e que se arma em valentão
Só para proteger o portão
e afastar o ladrão,
Uiva à lua e
também, à buzina da carrinha do pão.

O cão,
que parece um valentão
e, por vezes, um paspalhão
corre para se esconder
na escuridão 
ou perto
do patrão.

O cão,
que é amigo do dono,
mas que é um comilão e
um grande glutão,
vê a fome que aperta
 ou o cheiro do biscoito desperta,
larga a brincadeira e até a porteira,
ataca a algibeira
e esquece as boas maneiras.

O cão
deixou de ser humilde
porque também tem pedigree
Ora é bom, ora é ruim.

O cão
também se modernizou:
tem médico e manicure
Come panike e até confiture.
E já não espanta o ladrão,
porque acompanha o bebé
a ver televisão.
Não tarda, vira patrão
com carta de condução
e cartão de crédito
para pagar a pensão.
Talvez seja um aldrabão
Ou um honesto cidadão
Isso,
dependerá da opinião.

( Celina Seabra)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Prometo

Prometo não voltar a ceder a quem não olhou ao esforço que fiz para superar o orgulho. Depositei-o aos meus pés. Deixei que secasse a coroa de espinhos que o cercavam, porque acreditei que a vida não é mais do que um sopro e a soberba é a arma dos injustos. Não pensei que fosse tão difícil, mas libertei-me das correntes que me atrofiavam a alma que deve manter-se pura e, assim, pude encontrar paz. Não volto a vacilar e prometo não te olhar mais nos olhos, porque não têm o encanto dos girassóis. São névoas que encobrem o sol que me faz brilhar. E desse sim, preciso dele para sorrir. Por isso, vai! Leva contigo as nuvens que desmancham a aguarela perfeita Adicionar legenda que sou eu! (Celina Seabra)