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INSULAR

Sou uma ilha cercada de água por todos os lados e não sei nadar...
Nasci insular e o mar que me criou é tantas vezes monstro dentro de mim.
Embora cuide do meu jardim, plante rosas, cidreira e jasmim, ervas daninhas crescem dentro de mim.
Já disse: sou uma ilha!
E quando um barco aporta não é para ficar nem eu nele embarcar...
Não sou marinheiro, nem sei navegar...
Cuido do meu jardim e edifico paredes de cristal...
Às vezes, deixo entrar as borboletas... vejo-as voar, brincar, seduzir, poisar e beijar o jasmim ou o capim... mas depois partem... deixo-as partir... desejava-as para mim, mas elas não são de ficar, nem eu de aprisionar.
Queria uma borboleta só para mim...
Queria um anjo que se revelasse...
Queria um abraço que me apertasse e não me libertasse...
Queria um AMIGO ESPECIAL que de mim precisasse e me apreciasse...
Queria ser a ROSA ÚNICA do teu jardim...
Não preciso de redoma, apenas que cuides de mim.


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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Prometo

Prometo não voltar a ceder a quem não olhou ao esforço que fiz para superar o orgulho. Depositei-o aos meus pés. Deixei que secasse a coroa de espinhos que o cercavam, porque acreditei que a vida não é mais do que um sopro e a soberba é a arma dos injustos. Não pensei que fosse tão difícil, mas libertei-me das correntes que me atrofiavam a alma que deve manter-se pura e, assim, pude encontrar paz. Não volto a vacilar e prometo não te olhar mais nos olhos, porque não têm o encanto dos girassóis. São névoas que encobrem o sol que me faz brilhar. E desse sim, preciso dele para sorrir. Por isso, vai! Leva contigo as nuvens que desmancham a aguarela perfeita Adicionar legenda que sou eu! (Celina Seabra)