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Carrego dentro de mim a decepção.
Ninguém me vê ou então, sou eu que vejo o que os outros não querem ver.
DESILUSÃO.
Envelheço e carrego este peso que ninguém exige ser levado.
SONHO e ninguém sonha como eu.
DOU e ninguém se dá como eu.
Procuro o que já tenho, mas teimo em desejar o outro.
SOLIDÃO.

Carrego uma solidão que ninguém imagina.
INSULAR, ILHA… é o que continuo a ser.
DESENRAIZADA…
MAL AMADA…
Porque me sufoco com o que os outros não querem dar?
Porque desejo amor se já o tenho?
Porque desejo atenção, se sou o centro da atenção?
Só estou bem onde não estou.
Amo o que me escapa das mãos.
Procuro o que não encontro.
INCONSTANTE!
Um grito morre dentro de mim. Estrangulo-o para que não saia. Domo a tempestade que se forma e me transtorna, me desfigura… Como sou feia!
HORROROSA!
Foge de ti! És fogo que te destróis! És ferida que ninguém vê. És obstáculo à tua felicidade! És prisão do teu bem-estar…

Ama-te! Embala-te! Procura em ti o paraíso e sê feliz!

( Celina Seabra)

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