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Não nasci poeta, mas sei amar a poesia.
Sei como lê-la, declamá-la, como tratar dela, como transformá-la em minha.
Não são meus filhos, mas sinto como se fossem meus, os poemas que escreves.
Sou madrasta boa que os amo como serva...
Não sou poetisa, mas amo a poesia.
As palavras soam-me a música no coração. São quentes, bondosas, misteriosas, estranhas e outras até esquisitas, mundanas, horripilantes, forasteiras... Mas são palavras, ordenadas, desconcertadas, trabalhadas na bigorna do ferreiro que as molda, nem sempre porque as sente, mas porque é artista, artesão, nauta, médico, professor, lavrador ou, então, simplesmente, sonhador.
Que inveja eu sinto de ti, poeta, que sabes libertar a tua alma, amalgamando-a a tantas outras!
Que arrebatamento quando leio em ti aquilo que sou, ou que fui ou que desejaria ser.
Que surpresa, quando estranho as imagens que traduzem o que nenhum outro consegue dizer.
Venero-te e idolatro o dom que, e continuo a acreditar, herdaste de Deus.
És prodígio, assombro, anjo caído do céu...
E sinto ciúme dentro do vaso que vive dentro de mim. Está vazio, oco, secou... dentro dele nada prosperou.
Almejei ser gente... passei entre a gente... Quem me viu?
A chuva cai lá fora, mas hoje não cai dentro de mim. 
Os sulcos apenas limpam as janelas que outrora visualizaram paraísos terrestres. 
Sou gota num oceano torrencial. Talvez não abra sulcos, mas apenas transborde e suba a orla  que criaram em mim. 
Ah, fosse eu poeta, quanto diria!!!

( Celina Seabra)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Prometo

Prometo não voltar a ceder a quem não olhou ao esforço que fiz para superar o orgulho. Depositei-o aos meus pés. Deixei que secasse a coroa de espinhos que o cercavam, porque acreditei que a vida não é mais do que um sopro e a soberba é a arma dos injustos. Não pensei que fosse tão difícil, mas libertei-me das correntes que me atrofiavam a alma que deve manter-se pura e, assim, pude encontrar paz. Não volto a vacilar e prometo não te olhar mais nos olhos, porque não têm o encanto dos girassóis. São névoas que encobrem o sol que me faz brilhar. E desse sim, preciso dele para sorrir. Por isso, vai! Leva contigo as nuvens que desmancham a aguarela perfeita Adicionar legenda que sou eu! (Celina Seabra)