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Esta noite o tempo parou e eu desci para te contemplar no espelho que sou. É mais fácil poder olhar para ele e embarcar na sua superfície polida e brilhante e fazer dele meu barco.
É neste batel que parto para longas viagens e me revejo no horizonte da vida. As imagens tornam-se mais claras, ainda que o céu nem sempre esteja estrelado e não haja luar.
Porém visiono faróis, onde os outros só veem escuridão e sofrimento.
Há uma Luz que me impele a partir, embora tantas vezes a apague. São tempestades passageiras que se constroem dentro de mim; um vento ligeiro que assombra a minha noite e põe medos onde só havia de existir esperança, risos e confiança.
E esse MEDO é o meu pior inimigo. Desconstrói-me, consome-me e sufoca-me porque se abriga dentro da roupagem fina que trajo. E sinto o coração – essa máquina ou brinquedo que não para e me impede de raciocinar – bater mais depressa, crescer e gerar um pânico que me sufoca…

Porém, a LUZ está lá… ainda a vislumbro. Não são só sombras o que enxergo… No céu ainda há uma estrela e esta sorri-me. Convida-me a tentar. Estende-me a mão – raio celestial de feixes de luzes – e, passo a passo, degrau a degrau, subo de mansinho ao convés e dali observo a magia do céu que desce sobre mim e me abraça. Embala-me e diz-me para sorrir. Afugento o medo e volto ao espelho por onde passei. O leme continua em mim porque TU também aqui estás e aninho-me em ti.

(Celina Seabra)

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