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Guerreira

Nasceste guerreira.
Dona da tua pessoa e do teu universo.
És rainha, senhora da tua vida, do teu mundo e dos teus degredos.
No teu coração bate a força de quem não desiste. És águia-real, senhora do céu e dos mares.
Com as tuas mãos lapidas as pedras que te entregaram e fazes delas milagres da natureza, obras de arte. Ladrilhas o teu caminho e torna-lo mais simples, menos íngreme.
És senhora de Coragem – alma lusitana!
Transportas em ti todos os sonhos dos tempos áureos do passado e procuras desfazer o terror que os teus antepassados deixaram. Foram egoístas, cruéis e desonestos. Mancharam o sangue que corre ainda nas tuas veias. Mas nem por isso, desistes. Não se vive do mal que se fez no passado. Apenas se pode alterá-lo para fazer o bem.
Lusitana é o teu nome. E nele misturas o cheiro dos pinheiros e o odor do sal.
A aliança que transportas é a da força do povo entrelaçada à gentileza da aristocracia de Isabel de Aragão. És Inês apaixonada, fiel até à morte; és Deuladeu, indomável e astuta que luta pelo seu povo… És Marquesa de Alorna, poetisa, amante das artes e dona do bom senso…
És aventureira, destemida, sonhadora, santa… és bela!

És Tu e és Eu.

( Celina Seabra)

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Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

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