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Sou múltipla

Sou múltipla e em mim digladia-se o Bem e o Mal, a Heroína e o Vilão, a Verdade e a Máscara.
Sou fera, quando barbaramente ou injustamente maltratam os que amo e admiro acima de todas as coisas do mundo!
Sou leoa quando decido enfrentar os meus medos que atrofiam os meus pensamentos e entorpecem as minhas ações e me determino a atingir os meus fins, porque o Medo é irracional e inimigo da perfeição.
Sou malévola quando me deixo apoderar por sentimentos de inveja ou de ciúme.
Sou automasoquista quando desvio o meu olhar das muitas alegrias que preenchem o meu mundo e finjo não as ver, porque o materialismo, a futilidade, cega-me!
Sou insensível quando olho pelos olhos dos não misericordiosos.
Sou Heroína quando abraço sem pedir nada em troca, quando defendo o injuriado, o injustiçado, quando estou ao seu lado ( mesmo sendo a única), quando partilho o meu alimento, porque não sou egoísta e beijo o desgraçado.
Sou Justa quando avanço para a Verdade e nada temo.
Sou trovão quando o apelo é à União!
Sou Humana, imperfeita, racional e irracional, bela e besta, anjo e demónio, Bem e Mal...
Sou instável, de humor volúvel, de olhar imprevisível, sou caprichosa.
Sou menina, jovem, eterna adolescente, adulta, idosa saudosa que recorda sentada na cadeira de baloiço a vida bela que vivera e não soubera fruir...
Serei pó.
Serei anjo?
Bom?
Mau?
???? Tudo passa... efémera.
( Estrelinha)



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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Abandono

Dentro de mim não cabe a Felicidade. Miro-a, aproximo-me, invisto e a barreira invisível afasta-te de mim. Dentro um poço sem fundo, labirintos escuros, escolhas imperfeitas. Dentro o desejo de agarrar esse TODO que nunca serei: única, consciente e crente. Vazio... é um paúl que se acomodou ao local onde criou raízes. Outra face do que não és e querias ser. Cansaço de criar degraus para atingir a luz. Abandono. Para quê? Porquê? Porque já esperei e as borboletas não regressaram ao meu jardim. (Celina Seabra)