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MEDO

Aparece quando não esperas.
Chega de mansinho e vai tomando conta de todos os corredores por onde vagueia.
Parece fumo.
No início surge como névoa ténue.
Depois rasteja por debaixo das portas que deixaste encostadas,
porque achaste que já não havia perigo.
(Já há muito tempo que não aparecia.)
Escorrega pelas paredes inseguras da tua alma e chega, primeiro, ao teu coração,
depois ao estômago e, enfim, à garganta. Sufoca.
Aprisiona.
Estrangula.
O grito fica ali surdo, atordoando tudo aquilo que és: insegura, hesitante...
O MEDO faz em ti uma festa.
As emoções descontrolam-se...
Cadeias imaginárias encerraram o teu pensamento e tens algemas
 em vez de luz e proteção.
O Medo ataca as tuas defesas, porque duvidas de quem és.

Tudo é negro...

( Celina Seabra)



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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Prometo

Prometo não voltar a ceder a quem não olhou ao esforço que fiz para superar o orgulho. Depositei-o aos meus pés. Deixei que secasse a coroa de espinhos que o cercavam, porque acreditei que a vida não é mais do que um sopro e a soberba é a arma dos injustos. Não pensei que fosse tão difícil, mas libertei-me das correntes que me atrofiavam a alma que deve manter-se pura e, assim, pude encontrar paz. Não volto a vacilar e prometo não te olhar mais nos olhos, porque não têm o encanto dos girassóis. São névoas que encobrem o sol que me faz brilhar. E desse sim, preciso dele para sorrir. Por isso, vai! Leva contigo as nuvens que desmancham a aguarela perfeita Adicionar legenda que sou eu! (Celina Seabra)