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MEDO

Aparece quando não esperas.
Chega de mansinho e vai tomando conta de todos os corredores por onde vagueia.
Parece fumo.
No início surge como névoa ténue.
Depois rasteja por debaixo das portas que deixaste encostadas,
porque achaste que já não havia perigo.
(Já há muito tempo que não aparecia.)
Escorrega pelas paredes inseguras da tua alma e chega, primeiro, ao teu coração,
depois ao estômago e, enfim, à garganta. Sufoca.
Aprisiona.
Estrangula.
O grito fica ali surdo, atordoando tudo aquilo que és: insegura, hesitante...
O MEDO faz em ti uma festa.
As emoções descontrolam-se...
Cadeias imaginárias encerraram o teu pensamento e tens algemas
 em vez de luz e proteção.
O Medo ataca as tuas defesas, porque duvidas de quem és.

Tudo é negro...

( Celina Seabra)



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