Avançar para o conteúdo principal

DESEJOS

     O Homem carrega nos ombros a sua própria história.
                A sua vida é o seu projeto. Os obstáculos, as conquistas, as vivências são suas, fazem parte da sua caminhada.
                Dentro de si carrega o sangue de gerações e com ele o genes de tudo aquilo que ele é.
               Não há como fugir ao que se herdou, à linha hereditária que nos conduz ou para o sucesso ou para o precipício.
             Eu sou fruto do trisavô, da bisavó, do avô, da avó, do pai, da mãe e de tantos outros que ficaram para trás, na minha árvore genealógica.
                Trago comigo crenças, a loucura, as depressões, mas também a força da terra que continua a chamar por mim, a simplicidade dos cantos beirãos, a humildade dos que tiveram muito e que empobreceram porque as circunstâncias o quiseram, a fé, o sonho de querer mais, a alegria que se busca porque nem sempre aparece do nada, a perfeição que não se atinge…
                E é nesta busca pela perfeição que nasce em mim a desilusão, a descrença e o desejo de querer ser pedra, rocha, granito que se pisa, golpeia mas não se queixa e aguenta, suporta…
                Queria ser o sol do qual todos necessitam, mas é inalcançável…
                Queria ser a chuva que tudo limpa e faz rebentar a vida…
                Queria ser o canto das aves que agradece o seu dia a dia…
                Queria ser a luz que não ofusca…
                Queria ser a brisa e não o vento…
                Queria ser a bruma para passar despercebida…
                Queria ser o enigma que o/a curioso/a teima em desvendar…
                Queria ser o diamante, pedra preciosa, dura, quase impossível de quebrar…
                Queria ser a lua para poder iluminar…
                Queria ser o Tempo e poder o universo governar e amar…
    Queria ser o útero para muitos bebés transportar…
    Queria ser a estrela da manhã para no céu ser a primeira a brilhar…
    Queria ser fada para os outros ajudar…
    Queria ser a porta para se abrir de mansinho e ocultar o som do ribombar…
    Queria ser água para todos os lábios poder beijar…
   Queria ser ave para os céus poder cruzar… ou borboleta para no teu quadro me poderes pintar… ou só raio de sol para alguns corações alegrar…
    Queria ser o Amor e o Ódio afastar…
Queria ser mágica para o mal afugentar e do caminho dos Homens Bons os tiranos afastar…
Mas eu, sou apenas eu…
E em pó, mais tarde, me irei transformar!


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

Mudar de lugar implica adaptação. Aceitas ou não aceitas. Resignas-te e aceitas. Participas ou acomodas-te. Reservas-te ao teu canto ou entras na conversa. Ficas de fora ou integras-te. Dás de ti, para poderes (talvez) receber na mesma moeda, ou um pouco menos. Aceitas-te e passas a usufruir do que tens: tu, a tua essência, os teus valores, os teus sentimentos. Deixas de pensar no olhar perscrutador e olhas para a tua alegria e para o teu desejo de ser feliz. Gostas de ser instrumento de harmonia e sorris, ris, danças, cantas, dás corda à menina que foste na infância e que vive dentro de ti. Ou então, queixas-te. 🙄 Entristeces porque o passado não se apaga, ou vives o presente e agradeces quem passou por ti e fez de ti uma pessoa especial. O medo é inimigo da mudança, sim, Porém o mundo é tão grande e a Vida bonita e tu só tens de ser tu. Cativar é preciso, insistir também, mas há gente verdadeiramente especial! E a solidão vai-se quando aceitas a Paz. (Celina Seabra)

Pedinte

Velha. Mulher de idade avançada. Antiquada. Decrépita. Envelhecida por dentro. Murcha. Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada... Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes. O sonho perdeu-se. Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou. Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu. O rio lavou. O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar. Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la. Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz. Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem. Esqueceu os Outros. Centrou-se em si. Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação. Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta. Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em ...