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Simplesmente MULHER

Não sou a mulher fatal que desejei ser.
Não possuo olhos azuis, cabelos loiros, nem maçãs do rosto perfeitas.
Não sou Marilyn Monroe, nem Grace Kelly, nem tão pouco a Adele ou a Arabela de que fala Cecília Meireles.
O meu corpo não é esguio, as minhas ancas não são estreitas nem os meus seios volumosos, nem as pernas altas e perfeitas...
Sou latina, portuguesa, mas há quem me pinte chinesa!
Sou pequena, de poucos encantos, mas também de poucos enganos.
Sou humilde, por vezes, temperamental, mas acho-me muito natural.
Sou redonda, sentimentalista, serrana, mas a minha alma é bem lusitana.
Sou preguiçosa, melosa, atenciosa, mas não pensem que não sou perigosa!
Sou burguesinha, para alguns jeitosa, para outros manhosa e até dispendiosa.
Sou mulher, esposa amada, mãe carinhosa, melindrosa, curiosa, protetora e, também, professora.
Sou feliz, infeliz, alegre, triste, mas também sou alguém que não desiste.
Não sou princesa, nem deusa, nem de corpo e alma escorreita...
Chamam-me " nina" e para ELE eu sou perfeita!

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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

Deixa-me chorar...

“Deixa-me chorar para suavizar o que não sei dizer, mas sei sentir.” Deixa-me chorar para me libertar desta bofetada que só a minha alma sentiu e que não retribuiu. Deixa que rolem pelo meu rosto todas as lágrimas que se criaram nesse fosso que escavaste em mim. Deixa-me chorar porque preciso de voltar a sorrir. Deixa-me pintar um arco-íris que não se vê por fora, será o suficiente para afastar essas nuvens de deceção que tu criaste. Deceção que eu conheço. Desilusão que eu teimo em encobrir. Fantasia com que amorteço o que vejo e não quero reconhecer. Deixa-me chorar. Logo, logo, volto a reerguer-me. (Celina Seabra)

Acróstico

  F elizmente, a vida tem motivos para nos fazer sorrir. E ntrega-te ao sonho e embarca na sua realização. L eva contigo apenas o essencial: o sorriso para iluminar algumas lágrimas que hás de deixar cair… I mprescindível para o crescimento pessoal. A Fama é sol de pouca dura e Tu precisas apenas de ser C omo as aves do céu: Livre para voar. Liberto de amarras que só nos prendem ao chão e nos criam I lusões óticas que adoecem a nossa vontade de viver e a perceção da realidade. D á ao mundo a magia com que o Sol nos cumprimenta todos os dias. A ma como se não houvesse amanhã. Acredita. Usufrui dos teus sentidos para não teres fome de Vitória. D elega as imperfeições que agrilhoam as asas que nos prometeram ser de anjos E vive intensamente.   (Celina Seabra)