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Professora

“Vinte e nove meninos, entraram no meu caminho
Rostinhos diferentes, mentes distintas, olhinhos atentos,
eram tudo aquilo que eu queria…
João e Maria, no entanto, nem tudo faziam…
Anabela e Maribel, tudo passavam para o papel.
André e João, andavam ao empurrão e chamavam a minha atenção.
O que fazer nesta situação?
Puxar as orelhas? Chamá-los à razão? Dar-lhes um safanão ou dar-lhes simplesmente a mão?
Arranjar estratégias? Diferenciar matérias? Flexibilizar métodos? Era o que o Mestre pedia, mas eu, no meu dia a dia, nem sempre isto fazia.
Outros factores, outros labores se projectavam e o meu trabalho, enquanto prof., aumentava.
Que fazer para convencer e não entreter e ao professor obedecer?
Teorias não vão aprender mas, decerto, comigo vão CRESCER!
Corrigir, alterar, rasurar até encontrar um bom método para ENSINAR!
Aumentar o sentido e o interesse escolar, é o meu lema, afinal!”
( Celina Seabra)


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DRAGÃO DE FOGO

Um gigantesco  incêndio  lavra o meu país. É tão pequeno, este cantinho à beira-mar, e tão grande o dragão que há já alguns dias Tomou posse deste pequeno jardim… É um ser feroz, uma alma diabólica, egoísta, Que saiu das profundezas do inferno Onde estivera hibernado, e teima em fustigar de labaredas cintilantes um cantinho que já fora verde, muito verde, quase de encantar… A cauda chamejante, magnânima,  serpenteia  o meu Portugal E a alma diabólica, impetuosa, continua a criar paisagens dantescas. E sobre nós, um céu de bronze, asfixiante… As noites surgem  avermelhadas e fuliginosas Como se tivessem acendido milhares de archotes. Ao redor, paira a cinza e as faíscas queimam as fagulhas Que já foram pinho… Mas o dragão não é fácil de atacar. Cavaleiros da paz constroem armadilhas e lutam Dia e noite a fim de vencer a Besta. Vidas são dizimadas, ceifadas como ervas daninhas… Ao dragão nada importa a não ser o prazer...

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