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15/07

“A escolha é sua e minha. Viver na insatisfação ou no contentamento.
Dar uma chance a este dia, mudar a minha perspectiva. “
Que dia é HOJE?
É o teu dia.
É mais um dia.
Dentro de mim, nostálgico, saudosista, pessimista...
Porquê?
É mais um dia  - repito.
Mas devia ser diferente.
Onde estão os balões, toda a casa enfeitada?
Onde está a família? Mensagens aperfeiçoadas?
E os amigos, qu´ é deles?
Hoje o facebook enganou-os e não lhes disse que era o meu aniversário.
Amigos? - Simples conhecidos...
Fogo de artifício.
És especial.– dizem.
Mas estou só.
Aprendi a viver só.
Sou uma tríade, mas mesmo assim sinto este vazio.
Hoje o dia amanheceu alegre e o sol aquece o globo celeste.
Em mim, há um espelho partido – sete anos de azar!
Há que reparar! – grita a minha lucidez.
Era mais fácil ir com a Loucura e chamá-la de Irmã.
Mas não estou só.
A tríade chama por mim.
Os mil vidrinhos em que te dispersaste
Têm de ser restaurados, reduzidos de novo a matéria líquida,
Transformá-la em goma, através de temperaturas altas e quando atingir a cor do mel, voltar à forma que outrora te moldou.
Deveria ser um figurino novo, mais resistente às mudanças do mundo, mais direcionado para o serviço dos outros.
Eu, Espelho – superfície que reflete o que os outros desejam ver e não deixa passar a Luz que nasce todos os dias dentro de ti.
Espelho distorcido que te fere a menina dos olhos que dentro de ti brinca.
Os teus olhos castanhos que têm um brilhinho que só tu reconheces pedem-te para sorrir e para recomeçar.
Despe o fato do ano anterior.
Cresceste, logo deverias ter amadurecido.
Lança fora o espelho que outrora partiste e que teimas em colar.
Não te prendas ao supérfluo.
A Vida é borboleta passageira.
Não te prendas às cores e voa.
Voa… voa..

E sê alfinete-de-peito de quem te ama.
( Estrelinha )

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

Mudar de lugar implica adaptação. Aceitas ou não aceitas. Resignas-te e aceitas. Participas ou acomodas-te. Reservas-te ao teu canto ou entras na conversa. Ficas de fora ou integras-te. Dás de ti, para poderes (talvez) receber na mesma moeda, ou um pouco menos. Aceitas-te e passas a usufruir do que tens: tu, a tua essência, os teus valores, os teus sentimentos. Deixas de pensar no olhar perscrutador e olhas para a tua alegria e para o teu desejo de ser feliz. Gostas de ser instrumento de harmonia e sorris, ris, danças, cantas, dás corda à menina que foste na infância e que vive dentro de ti. Ou então, queixas-te. 🙄 Entristeces porque o passado não se apaga, ou vives o presente e agradeces quem passou por ti e fez de ti uma pessoa especial. O medo é inimigo da mudança, sim, Porém o mundo é tão grande e a Vida bonita e tu só tens de ser tu. Cativar é preciso, insistir também, mas há gente verdadeiramente especial! E a solidão vai-se quando aceitas a Paz. (Celina Seabra)

Pedinte

Velha. Mulher de idade avançada. Antiquada. Decrépita. Envelhecida por dentro. Murcha. Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada... Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes. O sonho perdeu-se. Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou. Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu. O rio lavou. O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar. Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la. Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz. Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem. Esqueceu os Outros. Centrou-se em si. Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação. Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta. Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em ...