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Bem haja

Em pequenos gestos, reflete-se a generosidade das pessoas.
Hoje, mais uma vez, aprendi uma pequena lição: a ajuda não vem sempre de quem conhecemos. Ela surge nos locais mais invulgares e com pessoas incomuns, desconhecidas.
Vejo em cada gesto destes um anjo. Se no momento tudo passa, a memória - e a minha pormenorizada! - cria em mim pequenos flashes desses acontecimentos.
Não tem muito que contar, mas naquele instante, aquela mulher ( simples, vulgar, vestida de preto) e que passava naquela rua, parou para me ajudar. Não foi preciso muito para ajudar. A sua preocupação, as suas palavras, só o átimo de me observar, bastou para TU ficares gravada em mim.
Não sei quem TU és.
Gentil, certamente. Preocupada com a minha dor, porque te viste refletida nela.
Ninguém mais parou.

Distanciaram-se. Talvez para aliviar a minha vergonha...

Que não senti. Só a dor de ter caído.

Obrigada, senhora vestida de preto, pela tua simplicidade, por te teres disponibilizado a ajudar-me. Pelo instante que me dedicaste.
Aprendi contigo, também.

( Celina Seabra)

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