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Fernando Pessoa, a caixinha de surpresas


Mais uma pequena surpresa de Pessoa " A aranha do meu destino": metáfora da sua vida e a de tantos que sentem como ele sentiu, mas não têm a arte de traduzir em palavras a vivência presente. Tal como a teia da aranha resiste à passagem do tempo e se habitua a ali permanecer ( ou será Além?), também eu me sinto presa a um destino que embateu numa encruzilhada... E " sou presa do meu suporte.".
A aranha do meu destino
Faz teias de eu não pensar.
Não soube o que era em menino,
Sou adulto sem o achar.
É que a teia, de espalhada
Apanhou-me o querer ir...
Sou uma vida baloiçada
Na consciência de existir.
A aranha da minha sorte
Faz teia de muro a muro...
Sou  presa do meu suporte.
( Fernando Pessoa, In Poesia 1931-1935 e não datada)

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