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Desabafo de uma docente para outro docente... e para quem quiser e estiver com " pachorra" de me ler!

Que desprezo é esse com que deparo em relação aos professores que trabalham ou trabalharam em escolas com contrato de associação ou até no ensino privado?
O que é que os meus colegas professores nos têm a apontar? 
O que é que nós lhes roubámos? 
Em quê, somos diferentes deles para deixarmos um ensino onde lecionámos 20, 30 anos e agora obrigam-nos a concorrer  ao ensino público e exigem que sejamos tratados como professores de segunda, como professores contratados?
Que justiça é essa, quando nos distinguem em salários? Trabalhei, tal como TU, meu colega, 20, 30, 40 anos!!!
Que melhor serviço fazem ou fizeram que o meu?
Que melhor docentes são?
Quantas vezes fizeram greve e eu não fiz, porque nunca pude?
Quantas vezes ficaram com exames para corrigir porque os " senhores doutores" do Ensino Público, aderiram à greve e só contemplam os seus direitos?
Quantas vezes não tiveram de adiar testes porque não aderiram às Greves estipuladas pelos Sindicatos para os quais também desconto? ( Se calhar há mais tempo que alguns docentes que integram quadros de zona!)
Quantas Baixas médicas já pediram só porque não lhes agrada ou agradou o horário ou porque um fim de semana prolongado faz muito bem à alma? E é mais uma ponte...
Baixas Médicas, em 25 anos de serviço, coloquei duas: por licença de maternidade e por doença!
Quantas escolas do Ensino Público estão a trabalhar desde o início do ano letivo a 100%, com um corpo de docentes completo? 
Quantas cantinas funcionam mal no Ensino Público? Que refeições são essas que servem nas nossas escolas públicas para a qual também desconto? A Roda dos Alimentos não se cumpre! Peixe, quantas vezes por semana? Bolonhesa? Parece plástico!!!? Frango mal estufado!? Em sangue? " Sopa de água com oregãos?!" ( ouvi um petiz da escola primária a queixar-se!). Rissóis? 
E os encarregados de educação não se queixam, mas sabem queixar-se do professor...
Dá-me vontade de rir, mas é de forma sarcástica! Desilusão, é o que sinto. E alguma raiva por esta desunião.
Quem são os culpados?
Quantas vezes ficaram, docentes ou não docentes, sem 10% ou 20% do salário para ajudarem a escola onde trabalham a manter-se em funcionamento?
Que é das condições físicas das Escolas do Ensino Público? Onde empregaram as Direções Escolares o dinheiro que também receberam?
E o Buraco Parque Escola?!!! Onde estão essas escolas fantásticas?
Fico desiludida com o grupo profissional em que me insiro! DESUNIÃO, é o que vejo.
E vem-me à memória uma velha frase popular: " quando há muitos cães para o mesmo osso..." há certamente discussão!
Pois é, meus caros colegas, o que existe mesmo é uma grande falta de alunos e muitooooossss professores!
E numa sociedade como esta, fazemos como os animais irracionais, arranjamos uma matilha e afastamo-nos dos outros ou, então, destruimo-la e ganha o mais forte!
É o que se faz com o Ensino hoje.
E há sempre os que incitam - os arruaceiros- a querelas, a disputas, à destruição. Ninguém os vê lutar pela união.
Organizam-se em associações, em sindicatos, em federações, em grupos, constroem leis, direitos, deveres; usam e abusam da palavra, Supõem, idealizam, possibilitam, mas mudanças, não dás por elas.
Ou então, se surgem, são para prejudicar o mais fraco.
BASTA!
CHEGA de condenar o professor " de segunda", " os amarelinhos"... aqueles que também os vossos filhos ensinaram e educaram.
BASTA " de bater " naqueles que entregam o seu pão e o seu lenço ao discente que não o traz, porque, às vezes, não têm uma mãe ou um pai que se lembram de o fazer!
Retirem " a venda" que vos impede de ver!
Chega de desigualdades, caros colegas. O que TU desejas é o que EU desejo: ensinar, viver e educar!
Ah, e não te esqueças que também eu preciso de ganhar! 
( Desabafo de uma professora)

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Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

Mudar de lugar

Mudar de lugar implica adaptação. Aceitas ou não aceitas. Resignas-te e aceitas. Participas ou acomodas-te. Reservas-te ao teu canto ou entras na conversa. Ficas de fora ou integras-te. Dás de ti, para poderes (talvez) receber na mesma moeda, ou um pouco menos. Aceitas-te e passas a usufruir do que tens: tu, a tua essência, os teus valores, os teus sentimentos. Deixas de pensar no olhar perscrutador e olhas para a tua alegria e para o teu desejo de ser feliz. Gostas de ser instrumento de harmonia e sorris, ris, danças, cantas, dás corda à menina que foste na infância e que vive dentro de ti. Ou então, queixas-te. 🙄 Entristeces porque o passado não se apaga, ou vives o presente e agradeces quem passou por ti e fez de ti uma pessoa especial. O medo é inimigo da mudança, sim, Porém o mundo é tão grande e a Vida bonita e tu só tens de ser tu. Cativar é preciso, insistir também, mas há gente verdadeiramente especial! E a solidão vai-se quando aceitas a Paz. (Celina Seabra)

Pedinte

Velha. Mulher de idade avançada. Antiquada. Decrépita. Envelhecida por dentro. Murcha. Velha jovem: insatisfeita, quase nada, meio termo, promessa quebrada... Era uma vez uma menina sonhadora que acreditava em viagens fantásticas e em finais felizes. O sonho perdeu-se. Ficou perdido lá longe numa alma que se fechou. Virou concha, mas vazia. A pérola que tentaram lapidar virou espuma e a espuma desapareceu. O rio lavou. O tempo não parou, mas a menina deixou de sonhar. Dentro formou-se uma pedra e não soube como contorná-la. Dentro vive um ser destruidor, corrosivo, tentador e voraz ... Nada o satisfaz. Dentro pulula um medo indecifrável que afogueia. A lava espalha-se por ali e queima, incinera a voz que deveria cantar e louvar o Bem. Esqueceu os Outros. Centrou-se em si. Embrulhou a mágoa, os ciúmes, a inveja e fez-se Insatisfação. Se encostares o teu ouvido ao seu coração, talvez ele derreta. Se souberes as palavras certas, talvez o sofrimento se deixe lavar em ...