"Na vida tudo tem a sua razão de ser e cada coisa só tem o valor que lhe damos."
O dia pode ser de sol, mas a tristeza continua a existir.
A chuva pode cair,
mas o calor humano afasta a intempérie interior.
O lugar pode ser selvagem,
mas a bonina traz-lhe bucolismo.
A casa simples não é sinónimo de mendicidade,
mas de organização e praticabilidade.
O gordo só é feio porque o olhar social o rotula por tal.
A deficiência estranha-se por ser diferente.
As aparências continuam a ser a camuflagem do lobo
e a insegurança humana faz-nos entrar no covil da besta.
Somos reflexo em vez de espelho.
Somos sugestão em vez de atitude.
Culpa da sociedade que abafa a obra divina.
(CELINA SEABRA)
Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

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