Aqui, neste canto do fim do mundo, encontro o meu berço singelo e simples.
O azul - paleta variável do céu - abriga o verde que se espraia pela montanha.
A beleza não é a do cinzel do Homem que sonha, pensa, constrói e destrói.
Há simplesmente Beleza
da natureza que se reconstrói ao sabor do tempo e dos ventos, das primaveras e dos vendavais.
Aqui, esporadicamente,
regresso ao útero materno e ouço, afastada, o respirar do mundo que apela a deixar - me estar.
O ar é anestesiante e o silêncio ensurdecedor.
Se pudesse, seria Bela Adormecida, aqui.
A natureza haveria de encobrir o meu corpo e o sono seria o da paz eterna.
Mas,
Sobre mim, paira o olho de Deus que vigia carinhosamente os meus passos e me beija para regressar à fuga civilizacional.
Fica a promessa : hás de retornar!
(CELINA SEABRA)
Entre a gente também há solidão. - Foram mais ou menos estas as palavras da Raposa ao Principezinho. Sábia afirmação. Sorriso pintado é colocado tantas vezes para disfarçar o smile da tristeza, do vazio. Hoje ninguém está só. O ruído atordoa quem se extingue por dentro. A diferença preenche o desequilíbrio. Mais uma madeixas diferentes, uns tattoos extravagantes, uma maquilhagem exuberante e uma indumentária de outro mundo e ficamos sãos! Somos o que vendemos por fora e encobrimos os sentimentos que só angústiam e não resolvem a qualidade de vida. A solidão não faz amigos. Vende-se a felicidade e arranjam-se mil formas de preencher o vazio que se encharca com comprimidos, com alucinógeneos, com apostas miraculosas, com tecnologias diversas que nos encantam, absorvem e cansam... E precisamos de dormir. Não é preciso pensar. Embebedamos a Razão que é má companhia. A tristeza é barreira ao sucesso e o mundo é dos que constroem sucesso e aparentam ser Tão Felizes! (CELINA Seabra)

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